RELATÓRIO MISSÃO O DONZELA CARMESIN

RELATÓRIO MISSÃO O DONZELA CARMESIN

Por Erinor – classe Obsidiana]

Integrantes da missão: Iguana Holmes, Anastriana, Vetor, Jaina, Erinor

Em um pedido especialmente enviado pela capital, os membros acima citados, incluindo eu – Erinor – o humilde servo de sua majestade, fizemos os preparativos para uma missão que tinha como objetivo investigar um naufrágio. Não admiti a informação que agora irei revelar aos meus companheiros por receio, porém esse tipo de missão em alto-mar me deixa muito inquieto e inseguro. O mar não é meu elemento natural e se há algo que aprendi com a Mãe Natureza é nunca subestimar sua força ou seus caprichos. Porém, ao mesmo tempo, ela nos ensina que os mais fortes sobrevivem e aqueles que melhor se adaptam as necessidades do momento.

Fazendo uso do portal, conseguimos chegar bem mais rapidamente ao porto onde nosso navio aguardava para nos levar e nosso guia: Uthren. Na verdade, ele foi um dos poucos sobreviventes a tragédia. Conforme seu relato, ele e sua noiva tentaram fugir mas não foram bem sucedidos. Então quando estava as portas da morte, ela amaldiçoou a tripulação por seu infortúnio. Uthren, mesmo ferido e com um braço amputado, conseguiu saltar para fora do barco e sobreviver. Nós até pensamos na dor que ele deve ter passado e como deveria ser ainda mais doloroso voltar ao local da tragédia. Mal sabíamos nós que nos dirigíamos as garras de um mal que caminhava ao nosso lado.

Com nosso navio faltando pouco para chegar, percebemos uma estranha neblina na região que nos dirigíamos. Uma névoa densa e lúgubre, do tipo que encontramos em pântanos antigos ou velhos cemitérios. Não houve ninguém abordo que não se sentiu intimidado. De qualquer forma seguimos viagem.

Encontramos um escaler abandonado com vários esqueletos a bordo. E uma fortuna em moedas de ouro. Entretanto, pouco tempo depois, percebemos se tratar de uma ilusão. Outras se seguiram, como vermes nos atacando. Era nítido que algo místico estava acontecendo. E finalmente chegamos ao Donzela Carmesim. Outrora poderia ter sido uma grande embarcação, mas agora estava em ruínas: velas rasgadas que oscilavam fantasmagoricamente ao vento, assoalho a ponto de apodrecer, um fedor de ranço que espalhava a toda parte. Mas continuamos em nossa missão… apenas para descobrir a morte a espreita.

Subimos abordo da embarcação. Uthren não acompanhou, ficando no barco que nos trouxe até o navio. Porém assim que descemos do tombadilho do timão para o convés fomos atacados por criaturas que se ocultavam nos mastros do navio. Homens semimortos, com um cheiro pútrido que faziam nossos estômagos revirarem; uma mistura revoltante de homens e criaturas do mar e restos do navio. De fato, as cordas por onde eles desceram cruzavam por entre seus corpos. Vetor e Iguana foram seus alvos principais. O resto da equipe foi em seu auxílio, mas a falta de conhecimento do tipo de criatura que enfrentávamos nos custou uma resposta imediata.

Finalmente conseguimos liquidar essas criaturas, mas sabíamos que o nosso tempo estava se esvaindo. Nos dirigimos ao que seria a cabine do capitão e novamente fomos surpreendidos. Não por criaturas semimarinhas, mas sim por uma ratada! Uma verdadeira colônia de ratos atacou o intrépido Vetor que se adiantou para investigar o local. Não conseguia sentir nenhuma empatia dessas criaturas, apenas uma fome insaciável e gananciosa. Após uma batalha perigosa contra um grupo de criaturas pequenas demais para acertar com precisão, muitos feridos necessitaram de poções de cura, embora alguns foram infectados com um tipo de peste que não tinha tratamento
imediato.

O último lugar a explorar o navio foi o mais perigoso: o porão do navio. Lá novamente fomos emboscados, na mais plena escuridão. Quase era possível tocá-la. Muitas batalhas já ocorridas, nossa energia já começava a oscilar. Após um longo momento tenso durante uma batalha quase que totalmente as cegas, alguém lançou rum ou alguma bebida do tipo e uma tocha. Talvez com a intenção de iluminar mais o local de batalha, não sei. Apenas sei que o fogo começou a se espalhar e sons fantasmagoricamente horripilantes começaram a ser ouvidos. Conseguimos fugir, saltar do navio e nos dirigirmos para o nosso pequeno barco. Porém os deuses estavam contra nossa companhia nesta empreitada.

Pouco depois de subirmos abordo, Uthren, que ficou aguardando nosso retorno, começou a convulsionar e se debater. A início pensei que poderia ser algum mal que lhe acometeu, mas que a Grande Mãe Natureza me cegue se já vi cena tão horripilante. Bem em frente a nossos olhos, ele começou a mudar, transformando-se numa espécie de monstro humanoide. Um de seus braços se transformou em um conjunto de tentáculos. Pareceu-me que sussurrou algo como Rakhan. Muito exaustos, começamos nova batalha, mas contra a fúria de uma má fortuna não há muito o que se fazer. Mas logo em seguida também chegou, para aumentar o risco da missão a criatura, que depois eu descobri, chamada Lorana, A Alma Perdida.

No final das contas, com todos quase mortos de cansaço ou ferimentos, pulamos pelo barco e deixamos as duas criaturas se combaterem, pois aparentemente a Lorana tinha assuntos inacabados com Rakhan. Infelizmente não conseguimos pegar praticamente nenhuma recompensa, mas com certeza é uma das aventuras mais perigosas por qual eu já passei.